Índice
- Sumário executivo
- Contexto e enquadramento
- Benchmark Portugal
- Benchmark Europa
- Benchmark EUA e resto do mundo
- Análise comparativa
- Argumentos para a decisão
- 1. Visão, objetivos e princípios
- 2. Localização: onde fica a sala
- 3. Desenho do espaço e equipamento
- 4. Modelo operacional
- 5. Parceria universitária e equipa clínica
- 6. Orçamento estimado e financiamento
- 7. Governação e indicadores
- 8. Calendário de implementação
- 9. Riscos e mitigação
- 10. O que pedimos à direção
- Fontes
Sumário executivo
O Benfica é hoje o único dos três grandes portugueses sem sala sensorial no seu estádio. O FC Porto abriu a INZONE em fevereiro de 2024 e o Sporting abriu a The Green Box em janeiro de 2025; não encontrámos registo público de um espaço equivalente no Estádio da Luz.
A meta é ter a sala a funcionar até junho de 2027, ainda dentro da época 2026/27. É um prazo apertado mas exequível, se se reconverter um espaço existente e a direção aprovar o projeto até janeiro de 2027.
Principais conclusões:
- O modelo português de referência existe e funciona. A INZONE do FC Porto combina sala, zona intermédia e lugares na bancada, com terapeuta ocupacional, parceria académica (Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto) e patrocinador (Betano). Já recebeu cerca de 200 famílias.
- A sala é pequena e a procura é alta. Os casos de referência funcionam com 3 a 6 famílias por jogo (Sunderland, Arminia Bielefeld, FC Porto) e esgotam com frequência (Watford, Manchester City).
- O investimento é baixo face ao impacto. Estimamos entre 75 000 e 163 000 euros de investimento inicial e entre 27 000 e 48 000 euros por época de funcionamento, com financiamento externo plausível para o investimento.
- A sala sozinha não chega. Os melhores modelos juntam sala, kits sensoriais, formação de staff, comunicação prévia e um percurso de transição para a bancada.
- O enquadramento regulatório é favorável. A UEFA publicou em 2024 diretrizes de acessibilidade com um capítulo dedicado a salas sensoriais, lançadas em Lisboa, e exige um Disability Access Officer em todos os clubes licenciados.
- A parceria universitária é o diferenciador. Dá credibilidade clínica, escala a equipa de terapeutas e abre portas a investigação e financiamento.
A proposta posiciona a sala do Benfica não como cópia, mas como a mais completa do país: inclui explicitamente pessoas com deficiência profunda e multideficiência, e não apenas perfis sensoriais. No fim do documento, a secção 10 resume as seis decisões que pedimos à direção.
Contexto e enquadramento
Uma sala sensorial é um espaço com estímulos controlados (som, luz, multidão) a partir do qual se assiste ao jogo ao vivo. Serve quem não consegue tolerar a bancada: pessoas autistas, com perturbação do processamento sensorial, défice intelectual, doença mental, demência e, com o desenho certo, pessoas com deficiência profunda ou multideficiência.
Dimensão do público-alvo
- Autismo em Portugal: prevalência estimada em 0,5% das crianças em idade escolar na Região Centro (ASDEU, Frontiers in Psychiatry, 2023) e cerca de 1% nos Açores (Current Psychology, 2025). A revisão global citada no estudo ASDEU aponta para 1%.
- Deficiência em geral: cerca de 16% da população mundial, segundo as Diretrizes de Acessibilidade da UEFA.
- Leitura para o Benfica: mesmo com a estimativa mais baixa (0,5%), a base de sócios e adeptos do clube inclui milhares de famílias com um membro autista. A procura potencial excede largamente a capacidade de uma sala de 5 a 6 famílias por jogo.
Enquadramento normativo
| Instrumento | O que estabelece | Relevância para a proposta |
|---|---|---|
| Diretrizes de Acessibilidade da UEFA (2024) | Guia de boas práticas com capítulo próprio sobre salas sensoriais; atualiza o guia UEFA/CAFE de 2011 | Referência técnica direta; foi apresentado em Lisboa, na Cidade do Futebol, em dezembro de 2024 |
| Regulamento de Licenciamento de Clubes da UEFA, art. 46 | Obriga cada clube licenciado a nomear um Disability Access Officer (DAO) | O DAO do Benfica é o interlocutor natural e o dono operacional da sala |
| Diretrizes UEFA sobre bilhética | Bilhete gratuito para acompanhante quando necessário, incluindo deficiências não visíveis | Define a política de preço e acompanhantes |
| Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e Estratégia Europeia 2021–2030 | Direito à participação cultural e desportiva em igualdade | Fundamento de direitos para a direção |
| Ato Europeu de Acessibilidade (em vigor desde junho de 2025) | Requisitos de acessibilidade para produtos e serviços | Reforça a exigência sobre bilhética e canais digitais do clube |
A própria UEFA já usa salas sensoriais nas suas finais: em 2025 havia salas em três das quatro finais de clubes, incluindo a primeira utilização no Estádio José Alvalade na final da Liga dos Campeões feminina. Para um estádio do grupo de elite da UEFA como a Luz, este passa a ser um padrão esperado.
Benchmark Portugal
Dois dos três grandes já têm resposta; o FC Porto tem o modelo mais maduro e mais próximo do que se pretende para a Luz.
| Clube / estádio | Espaço | Abertura | Parceiros | Público | Funcionamento |
|---|---|---|---|---|---|
| FC Porto – INZONE, Dragão | Sala fechada + zona intermédia + lugares na bancada | Fevereiro de 2024 | Betano; Escola Superior de Saúde do P.Porto | Neurodivergência, processamento sensorial, défice intelectual, doença mental | 5–6 famílias/jogo; preço de bilhete normal; terapeuta, estacionamento e acompanhamento por hospedeira |
| Sporting – The Green Box, Alvalade | Camarote adaptado com tecnologias sensoriais | Janeiro de 2025 (anunciado em novembro de 2023) | Fundação Sporting e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa | Deficiência, pessoas surdas, neurodivergência | Detalhes operacionais não publicados |
| Benfica, Luz | Sem sala sensorial identificada | — | — | Acessibilidade física (rampas, elevadores, lugares para cadeiras de rodas) | — |
FC Porto – INZONE em detalhe
É o caso mais útil para a proposta, porque é português, recente e tem dados de operação publicados em março de 2026.
- Zona 1 – sala fechada com brinquedos e objetos de regulação, estímulos controlados.
- Zona 2 – espaço intermédio já no exterior, entre a sala e a bancada; foi ampliado no segundo ano porque é onde as famílias passam mais tempo.
- Zona 3 – bancada, junto dos restantes adeptos, sempre com acompanhamento e meios de controlo sensorial (por exemplo, abafadores).
O objetivo declarado é a transição progressiva para a bancada, e há casos documentados: um adepto que começou na Zona 1 e hoje vê sempre na Zona 3, com lugar anual comprado.
Outros elementos operacionais a reter:
- Acesso: pedido por email, seguido de avaliação prévia pela terapeuta ocupacional do clube para confirmar a necessidade e dimensionar cada jogo.
- Capacidade: sem lotação fixa, mas limitada a 5–6 famílias; quem fica de fora tem prioridade no jogo seguinte.
- Preço: as famílias pagam um bilhete normal; o serviço (terapeuta, parque, acompanhamento) é incluído.
- Resultados: cerca de 200 famílias em dois anos, com repetição frequente e criação de laços entre famílias.
- Lacunas assumidas: o acesso ainda exige escadas (a Betano comprometeu-se a financiar 100% de um elevador) e o projeto nem sempre chega à população-alvo, segundo a diretora de sustentabilidade do clube.
Sporting – The Green Box
O Sporting optou por um camarote, alargando o âmbito a pessoas surdas e com outras deficiências. O financiamento resulta de um protocolo entre a Fundação Sporting e a Santa Casa. O facto de ter passado de anúncio (novembro de 2023) a inauguração (janeiro de 2025) em cerca de 14 meses dá uma referência realista de calendário para um projeto deste tipo num grande estádio de Lisboa.
Benfica – situação atual
A informação pública sobre a Luz refere acessibilidade física, mas nenhum espaço sensorial. Dois factos recentes são relevantes:
- Em outubro de 2026 o clube inaugurou o Emirates Lounge, com 160 lugares, o que mostra capacidade recente de reconverter espaço de bancada.
- O clube anunciou o aumento da lotação para 70 000 lugares, uma obra onde uma sala sensorial pode ser integrada desde o projeto.
Benchmark Europa
Inglaterra criou o modelo há mais de dez anos e generalizou-o com financiamento da liga; Espanha e Alemanha têm casos isolados, mas bem documentados.
| Clube / estádio | Abertura | Formato | Capacidade | Elementos distintivos |
|---|---|---|---|---|
| Sunderland – Nathan Shippey Sensory Room | Agosto de 2015 | Sala com vista para o relvado, num bar do estádio | Até 3 adeptos; segunda sala em camarote para 5 adeptos + acompanhante | Primeira sala sensorial no futebol; nasceu da iniciativa de uma família de adeptos |
| Watford, Vicarage Road | Janeiro de 2017 | Sala com janelas espelhadas para o relvado | Esgotada em todos os jogos; mais de 60 famílias | Custo de cerca de 17 000 libras; 5 crianças transitaram para a bancada; formação de todo o staff envolvido |
| Arsenal, Emirates | 2017 | Sala com janela para o relvado e atividades sensoriais | — | Exemplo de clube de topo a adotar cedo |
| Manchester City – Sensory Suite, Etihad | Outubro de 2019, após 4 jogos-piloto | Sala multissensorial + varanda privada na bancada | Lotação esgotada até ao fim da primeira época | Gerida pela equipa de acessibilidade com a fundação do clube; usada por escolas fora dos dias de jogo; kits financiados pela PUMA |
| Arminia Bielefeld – Autisten-Loge | Época 2019/20 | Dois camarotes convertidos + sala Snoezelen anexa | Até 5 adeptos autistas + acompanhantes | Primeiro na Bundesliga; feito com voluntários e patrocinadores |
| Real Betis, Benito Villamarín | Novembro de 2023 | Sala com materiais interativos e iluminação regulável | — | Primeira em Espanha; parceria com um centro de estimulação precoce; kits sensoriais gratuitos |
| Real Betis, La Cartuja | Março de 2026 | Réplica da sala do Villamarín, atrás de vidro | Pessoa com autismo + 1 acompanhante | Com a RFEF e a Autismo Sevilla; 15 euros com acompanhante incluído em jogos de classe B; 3 lugares por jogo cedidos à Autismo Sevilla |
Em 2016 a Premier League e a BT criaram, com a Shippey Campaign e a Lord’s Taverners, uma linha de financiamento para salas sensoriais nos 20 clubes. A adoção acelera quando há financiamento externo dedicado e uma associação de famílias a empurrar.
Lições europeias para a Luz
- Começar com piloto. O Manchester City testou em 4 jogos com famílias convidadas antes de abrir ao público.
- Reconverter um camarote é a solução mais rápida. Sunderland (segunda sala), Arminia e Sporting usaram camarotes existentes.
- Medir a transição para a bancada. É o indicador de impacto que Watford e FC Porto usam.
- Usar o espaço fora dos dias de jogo. O Manchester City recebe escolas; isto aumenta o retorno social do investimento.
- Envolver uma associação de famílias desde o início. Betis com a Autismo Sevilla, Sunderland com a Shippey Campaign.
Benchmark EUA e resto do mundo
Fora da Europa há dois modelos úteis: o norte-americano, centrado na certificação e na formação do staff, e o brasileiro, impulsionado por obrigação legal.
Estados Unidos – modelo KultureCity
A KultureCity é uma organização sem fins lucrativos que certifica recintos como «sensory inclusive». Nas grandes ligas (NBA, NFL, MLB, NHL, MLS) é a referência dominante.
- Origem: o primeiro recinto desportivo a contratá-la foi a arena dos Cleveland Cavaliers, em 2017 (VenuesNow).
- Escala: a organização refere 350 recintos e eventos certificados em quatro países, incluindo Super Bowl e Pro Bowl da NFL.
- O que a certificação exige: formação do staff por profissionais de saúde (pelo menos 50% do staff de evento, no caso do Fiserv Forum) e kits sensoriais com auscultadores anti-ruído, objetos de manipulação, cartões de comunicação e almofadas com peso.
- Sala é opcional: a própria fundadora disse que formação e kits são o essencial; de 200 recintos parceiros, apenas 15 tinham sala.
- Exemplo de escala: o Fiserv Forum (Milwaukee Bucks) formou 800 trabalhadores e abriu duas salas.
Uma sala de 5–6 famílias serve poucos; a formação do staff e os kits servem milhares de adeptos neurodivergentes que já vão à bancada. A proposta inclui as duas camadas.
Brasil – obrigação legal
- No Rio de Janeiro, a Lei Municipal 7.973/2023 obriga estádios com mais de 5 000 lugares a ter estruturas adaptadas para pessoas autistas. O Maracanã respondeu com duas salas para 4 pessoas com autismo e até 3 acompanhantes cada.
- No Allianz Parque (Palmeiras), a sala sensorial funciona como unidade de uma clínica de reabilitação nos dias sem eventos, com terapia ocupacional, terapia da fala e psicologia.
Qatar 2022
O Mundial de 2022 teve salas sensoriais em três estádios, operadas com instituições locais de reabilitação. As famílias podiam entrar antes do jogo e sair depois, evitando os picos de multidão.
Análise comparativa
Os casos agrupam-se em cinco modelos. A recomendação é um modelo híbrido: o percurso progressivo do FC Porto, com a camada de formação e kits da KultureCity e o uso clínico semanal do Allianz Parque.
| Modelo | Exemplos | Rapidez | Custo de capital | Equipa clínica | Alcance | Deficiência profunda | Principal risco |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Percurso progressivo | FC Porto, Manchester City | Média | Médio | Alta | Médio, com transição para a bancada | Média | Acessos físicos mal resolvidos |
| Camarote reconvertido | Sporting, Arminia, Sunderland | Alta | Baixo | Média | Baixo | Média | Perda de receita de camarote |
| Sala dedicada com vista | Watford, Arsenal, Betis | Média | Baixo | Média | Baixo | Média | Lista de espera permanente |
| Certificação, formação e kits | KultureCity (EUA) | Muito alta | Muito baixo | Baixa | Muito alto | Baixa | Insuficiente para quem não tolera a bancada |
| Uso misto estádio e clínica | Allianz Parque (Brasil) | Baixa | Médio | Alta, paga por outra entidade | Alto | Alta, se equipada | Complexidade de governação |
Boas práticas transversais
- Reserva prévia com triagem, avaliação por terapeuta e lista de espera com prioridade.
- Bilhete ao preço normal, acompanhante incluído, como recomendam as diretrizes UEFA.
- Chegada e saída fora dos picos, com estacionamento reservado e acompanhamento desde o parque.
- Kits sensoriais disponíveis em todo o estádio, não só na sala.
- Formação de stewards e staff de bancada em sinais de sobrecarga e etiqueta de deficiência.
- Indicadores de impacto desde o primeiro jogo.
- Comunicação ativa junto das associações e escolas.
Argumentos para a decisão
- Paridade competitiva: os dois rivais diretos já têm resposta; o Benfica é o único sem.
- Exigência UEFA: diretrizes publicadas, DAO obrigatório e salas sensoriais já usadas pela UEFA nas suas finais, incluindo em Lisboa.
- Custo baixo face ao impacto: o investimento é de dezenas a pouco mais de cem mil euros, não de milhões.
- Financiamento externo plausível: patrocinador (modelo Betano/PUMA), fundação do clube (modelo Sporting/Santa Casa) e parceria académica (modelo Escola Superior de Saúde do P.Porto).
- Valor reputacional e de comunidade: histórias de famílias como as documentadas no Dragão têm forte impacto junto dos sócios.
1. Visão, objetivos e princípios
Propomos que o Benfica crie, até junho de 2027, um espaço sensorial no Estádio da Luz que permita a qualquer benfiquista ver um jogo ao vivo com a família, seja qual for a forma como processa o som, a luz e a multidão. O espaço não é um camarote de caridade: é um serviço permanente do estádio, com equipa clínica, regras claras e resultados medidos.
O problema que resolve
Hoje, uma família com um filho autista que queira ir à Luz tem três opções más. Pode arriscar a bancada e sair ao primeiro foguete. Pode ir só um dos pais, deixando o filho em casa. Ou pode simplesmente desistir. A reportagem do Dragão mostra que estas famílias existem e que, quando lhes é dado um espaço, voltam jogo após jogo e algumas acabam por comprar lugar anual.
O mesmo acontece no outro extremo da vida. Há sócios que vão à Luz há décadas e deixam de ir quando a demência aparece, porque a multidão, o ruído e a desorientação tornam o estádio confuso e assustador. O Manchester City já abre a sua sala a adeptos adultos com demência; a Luz deve fazer o mesmo e dizê-lo claramente na comunicação.
O problema não é a pessoa; é o ambiente. É esta a leitura das diretrizes da UEFA, que seguem o modelo social da deficiência: quem retira barreiras é o estádio, não quem tem de as ultrapassar.
Objetivos
- Dar acesso a quem hoje não vem. Criar condições para que pessoas autistas, neurodivergentes, com défice intelectual, multideficiência, deficiência profunda ou demência assistam a jogos do Benfica na Luz, acompanhadas.
- Abrir um caminho para a bancada. Para quem o quiser, a sala é um ponto de partida e não um destino: o percurso em três etapas permite experimentar a bancada aos poucos e com apoio.
- Preparar o estádio inteiro. Muitas pessoas neurodivergentes já vão à Luz e sofrem em silêncio. Kits sensoriais e formação de stewards chegam a milhares de adeptos, não só aos que cabem na sala.
- Fazer do Benfica a referência nacional. Com a parceria universitária, o clube gera conhecimento, forma profissionais e pode publicar resultados que nenhum outro clube português tem.
Princípios de desenho
- Co-desenho. As decisões sobre a sala são tomadas com famílias, adultos autistas e terapeutas. Propomos um pequeno grupo consultivo de cinco a sete pessoas, ativo desde a fase de projeto.
- Dignidade. Bilhete ao preço normal, acompanhante incluído. Ninguém deve sentir que está a receber um favor.
- Progressão ao ritmo de cada um. Ficar o jogo todo na sala é um resultado tão válido como chegar à bancada.
- Começar pequeno e medir. Piloto antes de abrir ao público, indicadores desde o primeiro jogo e ajustes entre épocas.
- Inclusão também para deficiência profunda. É aqui que a Luz pode ir além do Dragão e de Alvalade.
- Simplicidade operacional. Reconverter um espaço existente, usar equipamento comprovado e apoiar-se em estruturas que o clube já tem (DAO, stewards, bilhética, Fundação Benfica).
2. Localização: onde fica a sala
Recomendamos reconverter um camarote existente para cumprir junho de 2027 e, numa segunda fase, integrar um espaço definitivo e maior na obra de ampliação do estádio para 70 000 lugares.
| Opção | O que é | Prazo realista | Experiência do adepto | Custo | Principal limitação |
|---|---|---|---|---|---|
| A. Camarote reconvertido | Adaptar um camarote existente com vista para o relvado | Cumpre junho de 2027 | Boa: vista direta, privacidade, perto da bancada | Baixo a médio | Perda da receita desse camarote |
| B. Espaço novo na ampliação | Desenhar a sala de raiz no projeto dos 70 000 lugares | Provavelmente depois de 2027 | Muito boa: dimensão, acessos e casa de banho pensados desde o início | Marginal, se integrado no projeto | Não cumpre o prazo |
| C. Sala interior sem vista | Espaço calmo interior com o jogo transmitido em ecrã | Rápido | Fraca: perde-se o essencial, que é ver o relvado | Baixo | Não serve a transição para a bancada |
A opção C só faz sentido como recurso de emergência (uma «sala de pausa» para quem entra em crise na bancada), nunca como solução principal.
Critérios para escolher o camarote
- Vista direta para o relvado, com envidraçado que possa ser tratado acusticamente.
- Acesso sem degraus desde o estacionamento até à sala. O FC Porto só agora está a resolver as escadas de acesso à INZONE; a Luz deve evitar esse erro desde o início.
- Distância às zonas de pirotecnia e de maior ruído. Na reportagem do Dragão, foguetes e petardos são o estímulo mais referido pelas famílias. Uma bancada lateral, afastada dos topos, é preferível.
- Espaço exterior contíguo que possa funcionar como zona intermédia, e lugares de bancada próximos para a terceira etapa.
- Casa de banho adaptada a poucos metros, ou possibilidade de a construir.
- Proximidade a um elevador e a um posto de primeiros socorros.
- Área útil de 30 a 45 m², a nossa estimativa para receber 5 a 6 famílias (12 a 18 pessoas) com o terapeuta.
Fases seguintes
- Fase 2 – ampliação do estádio. Usar a experiência do piloto para desenhar uma sala definitiva no projeto dos 70 000 lugares, possivelmente com duas salas, como no Sunderland ou no Fiserv Forum.
- Fase 3 – modalidades. Levar o modelo ao Pavilhão Fidelidade com uma solução leve: kits sensoriais, staff formado e uma sala de pausa.
3. Desenho do espaço e equipamento
A sala deve permitir duas coisas ao mesmo tempo: ver bem o jogo e conseguir baixar os estímulos a qualquer momento.
Como poderia ficar na Luz
As imagens seguintes são uma sugestão visual de como o espaço poderia ficar, com a identidade do clube e o equipamento descrito nesta secção. O nome «Benfica para Todos – Zona Sensorial» é também uma sugestão.
Imagens conceptuais geradas por inteligência artificial, como sugestão visual. Não representam um espaço que já exista no Estádio da Luz.
Organização interna da sala
- Área de visionamento, junto ao vidro. Cadeiras móveis, pufes e dois lugares para cadeira de rodas ou cadeira posicionadora, todos com vista desimpedida para o relvado.
- Área de regulação. Um canto com colchões, tubo de bolhas, fibra ótica e materiais táteis, para quem precisa de se acalmar sem sair da sala.
- Área de retiro. Um recanto separado por cortina ou divisória leve, com luz mínima, para crises.
- Área de apoio. Cacifos, bancada para medicação e alimentação, lavatório e uma mesa para o terapeuta.
Acústica
O objetivo é que dentro da sala se possa conversar em voz normal durante o jogo, mesmo num golo ou num momento de pirotecnia. Isto obriga a substituir ou duplicar o envidraçado por vidro laminado acústico, revestir paredes e teto com painéis absorventes, instalar uma porta com vedação acústica e prever um sistema de som interior com volume regulável. A especificação final deve ser feita por um engenheiro acústico, com medições num jogo real antes e depois da obra.
Luz, clima e materiais
- Iluminação LED regulável em intensidade e temperatura de cor, sem lâmpadas fluorescentes.
- Estore ou película regulável no vidro, para cortar flashes, projetores e espetáculos de luzes.
- Climatização silenciosa, com controlo dentro da sala.
- Cores neutras e superfícies sem padrões, piso macio e lavável, cantos arredondados.
Equipamento
| Equipamento | Para que serve | Observações |
|---|---|---|
| Abafadores de ruído, vários tamanhos | Reduzir o ruído na sala, na zona intermédia e na bancada | Tamanhos para crianças e adultos |
| Tubo de bolhas e fibra ótica | Estímulo visual calmo e previsível | Padrão nas salas inglesas |
| Mantas e coletes com peso | Regulação por pressão profunda | Uso orientado pelo terapeuta |
| Objetos de manipulação e materiais táteis | Regulação durante o jogo | Laváveis, substituídos todas as épocas |
| Pufes, colchões e cadeiras móveis | Liberdade de posição | Muitas pessoas não conseguem estar sentadas 90 minutos |
| Ecrã com a transmissão do jogo | Ver repetições e o marcador | Som desligado por defeito; legendas ligadas |
| Quadro visual do jogo | Antecipar hino, intervalo e fim | Reduz a ansiedade com o imprevisto |
| Cartões de comunicação e quadro de emoções | Comunicar sem palavras | Útil para pessoas não verbais |
Adaptação a deficiência profunda e multideficiência
- percurso sem degraus desde o estacionamento até à sala e à zona de bancada;
- espaço na sala para pelo menos duas cadeiras de rodas ou cadeiras posicionadoras;
- casa de banho adaptada com fraldário de altura regulável para adultos e elevador de transferência de teto;
- tomadas acessíveis para equipamento médico;
- articulação prévia com a equipa de primeiros socorros para cada pessoa com necessidades médicas complexas.
Zona intermédia e bancada
- Zona intermédia. Um espaço ao ar livre, junto à sala e com vista para o relvado. O FC Porto teve de a ampliar no segundo ano; deve ser dimensionada com folga desde o início.
- Bancada. Um pequeno bloco de lugares reservados, em fila de corredor e perto de uma saída, com um steward identificado e formado.
Preparação antes do jogo
Propomos um guia visual do dia de jogo, com fotografias reais do percurso (parque, porta, elevador, sala, casa de banho), enviado com a confirmação da reserva, e um vídeo curto do mesmo percurso no site do clube.
4. Modelo operacional
Quem pode usar
- Pessoas de qualquer idade que, por autismo, perturbação do processamento sensorial, défice intelectual, multideficiência, doença mental ou demência, não conseguem assistir a um jogo na bancada.
- Sócios e não sócios. A sala é um serviço de acessibilidade, não um benefício de sócio.
- Sem exigência de diagnóstico formal. Aceita-se atestado multiuso, relatório clínico ou escolar, ou a avaliação do terapeuta na triagem, válida para toda a época.
Família e preço
- Cada reserva inclui a pessoa e até dois acompanhantes, num máximo de três pessoas por família.
- A pessoa paga o bilhete normal, ao preço de sócio quando o for. O primeiro acompanhante é gratuito, como recomendam as diretrizes da UEFA; o segundo paga bilhete normal.
- O serviço (terapeuta, estacionamento reservado, acompanhamento, kit sensorial) está incluído.
Como se reserva
- Pedido num formulário da página de acessibilidade do site do Benfica.
- Triagem telefónica de 15 a 20 minutos com um terapeuta, na primeira vez, com uma ficha de apoio válida para a época.
- Atribuição das vagas até cinco dias antes do jogo, com pelo menos duas das seis vagas reservadas a quem vem pela primeira vez; quem fica de fora tem prioridade no jogo seguinte.
- Confirmação com bilhete, credencial de estacionamento e guia visual.
- Lugar regular para as famílias que o quiserem, ao fim de alguns jogos.
Propomos ainda ceder uma vaga por jogo a uma associação parceira, em rotação, como faz o Betis com a Autismo Sevilla.
Um dia de jogo, passo a passo
- Duas horas antes: a equipa monta a sala, testa som e luz, revê as fichas e faz um briefing com os stewards.
- Chegada antecipada: as famílias entram 60 a 90 minutos antes, pelo estacionamento reservado, recebidas por uma assistente de acolhimento.
- Instalação: o terapeuta apresenta a sala, entrega os kits e combina com cada família um plano simples para o jogo.
- Durante o jogo: as famílias circulam livremente entre sala, zona intermédia e bancada; o terapeuta acompanha e regista observações.
- Intervalo: a sala mantém-se calma e a casa de banho adaptada fica reservada às famílias.
- Saída: antes do apito final ou 15 a 20 minutos depois, com acompanhamento até ao parque.
- Depois do jogo: questionário curto às famílias e registo de ajustes.
Equipa em cada jogo
| Função | Número | Quem | Papel |
|---|---|---|---|
| Coordenador clínico | 1 | Terapeuta ocupacional ou psicólogo com experiência em autismo | Responsável pela sala, supervisão, decisões em crise |
| Terapeutas ou estagiários | 2 a 3 | Universidade parceira | Acompanham as famílias na sala e nas transições |
| Assistente de acolhimento | 1 | Staff do clube | Recebe as famílias no parque e acompanha-as |
| Steward dedicado | 1 | Segurança do clube, com formação específica | Zona intermédia, bloco de bancada, ligação ao centro de controlo |
Jogos abrangidos
Todos os jogos em casa da equipa principal masculina e os jogos da equipa feminina disputados na Luz. Nos jogos de maior risco (dérbis e grandes jogos europeus), a sala mantém-se aberta com reforço da equipa e aviso prévio às famílias.
Segurança, emergências e proteção de menores
- Plano de evacuação específico, testado antes do piloto.
- Ficha de emergência por pessoa, acessível apenas à equipa clínica e aos primeiros socorros.
- Protocolos distintos para crise sensorial e emergência médica, com ligação por rádio ao centro de controlo.
- Proteção de menores: as crianças ficam sempre com o seu responsável; todos os profissionais apresentam certificado de registo criminal.
- Proteção de dados: a triagem recolhe dados de saúde, categoria especial no RGPD; é necessário consentimento explícito, acesso restrito e validação pelo encarregado de proteção de dados do clube.
Uso fora dos dias de jogo
- Visitas de familiarização ao estádio vazio antes do primeiro jogo.
- Atividade clínica e formativa da universidade parceira, como no Allianz Parque.
- Visitas de escolas e instituições, como no Manchester City.
- Visitas ao estádio adaptadas, em horário de menor movimento.
5. Parceria universitária e equipa clínica
O precedente direto é a INZONE, criada com a Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto.
| Parte | Contribui com | Ganha |
|---|---|---|
| Benfica | Espaço, acesso ao estádio, bilhetes para a equipa, visibilidade, financiamento do coordenador | Equipa qualificada em todos os jogos, credibilidade técnica, dados de impacto |
| Universidade | Estagiários, supervisão, formação de stewards, desenho da avaliação | Local de estágio único no país, investigação, visibilidade |
| Famílias | Participação no co-desenho e nos questionários | Um serviço pensado com rigor e que melhora todas as épocas |
Instituições a contactar
Propomos um parceiro principal em terapia ocupacional e, se fizer sentido, um segundo em psicologia ou psicomotricidade. Candidatos a confirmar: Escola Superior de Saúde do Alcoitão; Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa; Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa; ISPA – Instituto Universitário.
Como funciona a equipa
- Coordenador clínico contratado a tempo parcial ou cedido pela universidade, que garante a continuidade e responde ao DAO.
- Estagiários supervisionados, dois a três por jogo, com formação inicial e nunca sozinhos com uma família.
- Bolsa de terapeutas formados para cobrir agosto, a pré-época e os períodos de exames, porque o calendário académico não coincide com a época de futebol.
O que o protocolo deve prever
Objeto e duração inicial de três épocas; número de estagiários e regras de supervisão; responsabilidades clínicas; seguros; confidencialidade e proteção de dados; regras de publicação e de uso das marcas; formação dos stewards.
Investigação e formação
Propomos um estudo de impacto desde o piloto, com aprovação da comissão de ética da universidade: questionários antes e depois, registo das transições entre zonas e acompanhamento ao longo de várias épocas. A universidade desenha também a formação dos stewards: um módulo de duas a três horas, atualizado todas as épocas.
6. Orçamento estimado e financiamento
Estimamos um investimento inicial entre 75 000 e 163 000 euros e um custo de funcionamento entre 27 000 e 48 000 euros por época. São estimativas de ordem de grandeza, sem IVA, a validar com pelo menos três orçamentos depois de escolhido o espaço. A diferença face às cerca de 17 000 libras da sala do Watford explica-se pelo tratamento acústico completo e pela adaptação a deficiência profunda.
Investimento inicial
| Rubrica | Mínimo (€) | Máximo (€) |
|---|---|---|
| Projeto e fiscalização | 5 000 | 10 000 |
| Obra acústica: vidro laminado, painéis, teto, porta | 20 000 | 45 000 |
| Iluminação regulável, estores e climatização | 6 000 | 15 000 |
| Casa de banho adaptada com fraldário de adulto e elevador de transferência | 15 000 | 30 000 |
| Equipamento sensorial e mobiliário | 8 000 | 18 000 |
| Ecrã, som interior e rádio | 3 000 | 6 000 |
| Zona intermédia e bloco de bancada | 3 000 | 8 000 |
| Kits sensoriais para todo o estádio (cerca de 300) | 5 000 | 10 000 |
| Guia visual, vídeo, sinalética e página web | 3 000 | 6 000 |
| Contingência (10%) | 7 000 | 15 000 |
| Total | 75 000 | 163 000 |
Custos por época (cerca de 22 jogos em casa)
| Rubrica | Mínimo (€) | Máximo (€) |
|---|---|---|
| Coordenador clínico a tempo parcial | 15 000 | 22 000 |
| Compensações de estagiários e da bolsa de terapeutas | 3 000 | 7 000 |
| Assistente de acolhimento e steward dedicado | 3 000 | 6 000 |
| Formação de stewards e staff | 2 000 | 5 000 |
| Reposição de kits e consumíveis | 2 000 | 4 000 |
| Seguros, comunicação e avaliação | 2 000 | 4 000 |
| Total por época | 27 000 | 48 000 |
Com 6 famílias em 22 jogos, a sala recebe cerca de 130 visitas de família por época; os kits e a formação chegam a muitas mais pessoas. Fica por quantificar o custo de oportunidade do camarote, a indicar pelo departamento comercial.
Fontes de financiamento
| Fonte | O que pode cobrir | Precedente |
|---|---|---|
| Patrocinador do projeto | Investimento inicial, kits, obras de acessibilidade | Betano na INZONE; PUMA nos kits do Manchester City |
| Fundação Benfica | Parte do funcionamento e ligação a associações | Fundação Sporting na The Green Box |
| Parceiro social | Cofinanciamento e acesso a famílias | Santa Casa da Misericórdia de Lisboa com o Sporting |
| Universidade parceira | Estagiários, supervisão e formação, em espécie | Escola Superior de Saúde do P.Porto com o FC Porto |
| Mecenato de empresas | Doações com possível benefício fiscal | A confirmar com o departamento fiscal do clube |
| Orçamento do clube | Coordenador clínico, staff e seguros | Encargo de acessibilidade ligado ao DAO |
Recomendamos que o investimento inicial seja financiado por um patrocinador e pela Fundação Benfica, e que o clube assuma apenas o funcionamento.
7. Governação e indicadores
Quem faz o quê
| Função | Responsável | Responsabilidades principais |
|---|---|---|
| Patrocinador na direção | Membro da direção com o pelouro do estádio ou da responsabilidade social | Aprova orçamento e espaço, desbloqueia decisões |
| Dono do projeto | Disability Access Officer (DAO) | Gestão do dia a dia, ligação às famílias, relatório anual |
| Coordenação clínica | Coordenador clínico | Triagem, equipa em jogo, protocolos de crise |
| Operações e segurança | Direção de operações do estádio | Acessos, evacuação, stewards |
| Bilhética | Departamento de bilhética | Reservas, acompanhantes, lugar regular |
| Comunicação | Departamento de comunicação | Página de acessibilidade, guia visual, divulgação |
| Financiamento | Fundação Benfica | Patrocinador, associações, mecenato |
| Parceria académica | Universidade parceira | Estagiários, supervisão, formação, estudo de impacto |
| Voz dos utilizadores | Grupo consultivo de famílias e adultos autistas | Co-desenho e feedback de cada época |
Indicadores e metas
| Indicador | Como se mede | Meta no piloto | Meta em 2027/28 |
|---|---|---|---|
| Famílias diferentes atendidas | Registo de reservas | 15 | 80 |
| Taxa de ocupação da sala | Vagas usadas sobre vagas disponíveis | 70% | 85% |
| Famílias que regressam | Percentagem que volta pelo menos mais uma vez | Registar | 50% |
| Vagas para novas famílias | Vagas por jogo para quem vem pela primeira vez | 2 | 2 |
| Transições para fora da sala | Famílias que passam à zona intermédia ou à bancada | Registar | 30% |
| Satisfação | Questionário pós-jogo, de 1 a 5 | 4,5 | 4,5 |
| Espera pela primeira vaga | Jogos entre o pedido e a primeira presença | Registar | 4 jogos ou menos |
| Stewards formados | Percentagem do staff de jogo | 100% nas zonas da sala | 50% de todo o staff |
| Kits sensoriais emprestados | Registo nos pontos de entrega | Registar | 500 por época |
| Crises com intervenção médica | Registo de primeiros socorros | Registar | Tendência descendente |
No fim de cada época, o DAO apresenta à direção um relatório curto com os indicadores, histórias relevantes (com autorização das famílias) e alterações propostas, com um resumo público no site do clube.
8. Calendário de implementação
O calendário cabe em oito meses porque as frentes de trabalho correm em paralelo e porque se reconverte um espaço existente.
O caminho crítico é a sequência decisão da direção, obra e piloto. A decisão de janeiro é o ponto sem folga: cada mês de atraso retira um mês ao piloto, e uma decisão depois de fevereiro adia o piloto para o início da época 2027/28. As datas exatas do piloto devem ser ajustadas ao calendário de jogos em casa de abril e maio de 2027. Propomos três a quatro jogos de piloto, com três a quatro famílias convidadas em cada um.
9. Riscos e mitigação
| Risco | Probabilidade | Impacto | Como mitigar |
|---|---|---|---|
| Aprovação depois de janeiro de 2027 | Média | Alto | Apresentar em novembro ou dezembro; piloto mais curto em maio se necessário |
| Nenhum camarote disponível ou resistência comercial | Média | Alto | Camarote de menor procura; patrocinador compensa a receita perdida |
| A obra acústica fica aquém do objetivo | Baixa a média | Médio | Medições prévias, engenheiro acústico, abafadores como reforço |
| A universidade não fecha o protocolo a tempo | Média | Alto | Duas instituições em paralelo; coordenador do clube garante o piloto |
| Procura muito acima da capacidade | Alta | Médio | Regras de rotação públicas, lista de espera, kits e formação em todo o estádio |
| A sala não chega às famílias que mais precisam | Média | Médio | Vaga por jogo para associações, divulgação em escolas e unidades de autismo |
| Crise grave ou incidente médico | Baixa | Alto | Protocolos escritos, ficha de emergência, ligação aos primeiros socorros |
| Pirotecnia e ruído nos jogos de maior risco | Alta | Médio | Sala longe dos topos, aviso prévio, reforço de equipa |
| Tratamento indevido de dados de saúde | Média | Alto | Consentimento explícito, acesso restrito, validação pelo encarregado de proteção de dados |
| Perceção de ação de marketing | Baixa | Médio | Co-desenho, preço normal, indicadores públicos, sem fotografias sem consentimento |
| Fim do apoio do patrocinador | Média | Médio | Contrato de pelo menos três épocas; funcionamento no orçamento de acessibilidade |
10. O que pedimos à direção
- Aprovar o princípio de criar um espaço sensorial no Estádio da Luz, com piloto até junho de 2027 e abertura plena em 2027/28.
- Nomear um membro da direção como patrocinador do projeto e confirmar o DAO como responsável executivo.
- Mandatar a direção de operações para identificar, até ao fim de dezembro de 2026, o camarote a reconverter.
- Autorizar contactos formais com universidades, com a Fundação Benfica e com potenciais patrocinadores, para fechar protocolo e financiamento até fevereiro de 2027.
- Aprovar o orçamento de funcionamento até 48 000 euros por época, a partir de 2027/28, e o mandato para procurar financiamento integral do investimento inicial.
- Aprovar o piloto em abril e maio de 2027 e a apresentação dos resultados à direção em junho.
Com estas decisões, o Benfica passa de único dos três grandes sem resposta a clube com a sala mais completa do país, a única pensada desde o início também para pessoas com deficiência profunda.
Fontes
Portugal: A Bola – reportagem INZONE (2026); A Bola – inauguração da INZONE (2024); Notícias ao Minuto – The Green Box (2025); A Bola – camarote solidário do Sporting (2023); A Bola – Emirates Lounge (2026); Soccerway – lotação de 70 mil; Prevalência do autismo na Região Centro (2023); Prevalência do autismo nos Açores (2025).
UEFA e enquadramento: UEFA Accessibility Guidelines; Lançamento em Lisboa; Salas sensoriais nas finais de 2025; AccessibAll – Sensory Viewing Rooms.
Europa: Sunderland; Financiamento da Premier League; Salas do Sunderland (site oficial); Watford; Arsenal; Manchester City; Manchester City – lotação e kits; PUMA e Sensory Suite; Arminia Bielefeld; Real Betis; Betis em La Cartuja; RFEF; Autismo Sevilla.
EUA e resto do mundo: VenuesNow – KultureCity; Fiserv Forum; Nationals Park; Maracanã; Allianz Parque; Qatar 2022.