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Benfica Inclusivo

Uma sala sensorial no Estádio da Luz

Dossier de proposta à Direção do Sport Lisboa e Benfica: análise do que existe e plano para abrir até junho de 2027.

Gonçalo Pereira, sócio n.º 58695
Outubro de 2026

Sumário executivo

O Benfica é hoje o único dos três grandes portugueses sem sala sensorial no seu estádio. O FC Porto abriu a INZONE em fevereiro de 2024 e o Sporting abriu a The Green Box em janeiro de 2025; não encontrámos registo público de um espaço equivalente no Estádio da Luz.

A meta é ter a sala a funcionar até junho de 2027, ainda dentro da época 2026/27. É um prazo apertado mas exequível, se se reconverter um espaço existente e a direção aprovar o projeto até janeiro de 2027.

Principais conclusões:

A proposta posiciona a sala do Benfica não como cópia, mas como a mais completa do país: inclui explicitamente pessoas com deficiência profunda e multideficiência, e não apenas perfis sensoriais. No fim do documento, a secção 10 resume as seis decisões que pedimos à direção.

Parte I — Análise de benchmark

Contexto e enquadramento

Uma sala sensorial é um espaço com estímulos controlados (som, luz, multidão) a partir do qual se assiste ao jogo ao vivo. Serve quem não consegue tolerar a bancada: pessoas autistas, com perturbação do processamento sensorial, défice intelectual, doença mental, demência e, com o desenho certo, pessoas com deficiência profunda ou multideficiência.

Dimensão do público-alvo

Enquadramento normativo

Instrumento O que estabelece Relevância para a proposta
Diretrizes de Acessibilidade da UEFA (2024) Guia de boas práticas com capítulo próprio sobre salas sensoriais; atualiza o guia UEFA/CAFE de 2011 Referência técnica direta; foi apresentado em Lisboa, na Cidade do Futebol, em dezembro de 2024
Regulamento de Licenciamento de Clubes da UEFA, art. 46 Obriga cada clube licenciado a nomear um Disability Access Officer (DAO) O DAO do Benfica é o interlocutor natural e o dono operacional da sala
Diretrizes UEFA sobre bilhética Bilhete gratuito para acompanhante quando necessário, incluindo deficiências não visíveis Define a política de preço e acompanhantes
Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e Estratégia Europeia 2021–2030 Direito à participação cultural e desportiva em igualdade Fundamento de direitos para a direção
Ato Europeu de Acessibilidade (em vigor desde junho de 2025) Requisitos de acessibilidade para produtos e serviços Reforça a exigência sobre bilhética e canais digitais do clube

A própria UEFA já usa salas sensoriais nas suas finais: em 2025 havia salas em três das quatro finais de clubes, incluindo a primeira utilização no Estádio José Alvalade na final da Liga dos Campeões feminina. Para um estádio do grupo de elite da UEFA como a Luz, este passa a ser um padrão esperado.

Benchmark Portugal

Dois dos três grandes já têm resposta; o FC Porto tem o modelo mais maduro e mais próximo do que se pretende para a Luz.

Clube / estádio Espaço Abertura Parceiros Público Funcionamento
FC Porto – INZONE, Dragão Sala fechada + zona intermédia + lugares na bancada Fevereiro de 2024 Betano; Escola Superior de Saúde do P.Porto Neurodivergência, processamento sensorial, défice intelectual, doença mental 5–6 famílias/jogo; preço de bilhete normal; terapeuta, estacionamento e acompanhamento por hospedeira
Sporting – The Green Box, Alvalade Camarote adaptado com tecnologias sensoriais Janeiro de 2025 (anunciado em novembro de 2023) Fundação Sporting e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa Deficiência, pessoas surdas, neurodivergência Detalhes operacionais não publicados
Benfica, Luz Sem sala sensorial identificada — — Acessibilidade física (rampas, elevadores, lugares para cadeiras de rodas) —

FC Porto – INZONE em detalhe

É o caso mais útil para a proposta, porque é português, recente e tem dados de operação publicados em março de 2026.

  1. Zona 1 – sala fechada com brinquedos e objetos de regulação, estímulos controlados.
  2. Zona 2 – espaço intermédio já no exterior, entre a sala e a bancada; foi ampliado no segundo ano porque é onde as famílias passam mais tempo.
  3. Zona 3 – bancada, junto dos restantes adeptos, sempre com acompanhamento e meios de controlo sensorial (por exemplo, abafadores).

O objetivo declarado é a transição progressiva para a bancada, e há casos documentados: um adepto que começou na Zona 1 e hoje vê sempre na Zona 3, com lugar anual comprado.

Outros elementos operacionais a reter:

Sporting – The Green Box

O Sporting optou por um camarote, alargando o âmbito a pessoas surdas e com outras deficiências. O financiamento resulta de um protocolo entre a Fundação Sporting e a Santa Casa. O facto de ter passado de anúncio (novembro de 2023) a inauguração (janeiro de 2025) em cerca de 14 meses dá uma referência realista de calendário para um projeto deste tipo num grande estádio de Lisboa.

Benfica – situação atual

A informação pública sobre a Luz refere acessibilidade física, mas nenhum espaço sensorial. Dois factos recentes são relevantes:

Benchmark Europa

Inglaterra criou o modelo há mais de dez anos e generalizou-o com financiamento da liga; Espanha e Alemanha têm casos isolados, mas bem documentados.

Clube / estádio Abertura Formato Capacidade Elementos distintivos
Sunderland – Nathan Shippey Sensory Room Agosto de 2015 Sala com vista para o relvado, num bar do estádio Até 3 adeptos; segunda sala em camarote para 5 adeptos + acompanhante Primeira sala sensorial no futebol; nasceu da iniciativa de uma família de adeptos
Watford, Vicarage Road Janeiro de 2017 Sala com janelas espelhadas para o relvado Esgotada em todos os jogos; mais de 60 famílias Custo de cerca de 17 000 libras; 5 crianças transitaram para a bancada; formação de todo o staff envolvido
Arsenal, Emirates 2017 Sala com janela para o relvado e atividades sensoriais — Exemplo de clube de topo a adotar cedo
Manchester City – Sensory Suite, Etihad Outubro de 2019, após 4 jogos-piloto Sala multissensorial + varanda privada na bancada Lotação esgotada até ao fim da primeira época Gerida pela equipa de acessibilidade com a fundação do clube; usada por escolas fora dos dias de jogo; kits financiados pela PUMA
Arminia Bielefeld – Autisten-Loge Época 2019/20 Dois camarotes convertidos + sala Snoezelen anexa Até 5 adeptos autistas + acompanhantes Primeiro na Bundesliga; feito com voluntários e patrocinadores
Real Betis, Benito Villamarín Novembro de 2023 Sala com materiais interativos e iluminação regulável — Primeira em Espanha; parceria com um centro de estimulação precoce; kits sensoriais gratuitos
Real Betis, La Cartuja Março de 2026 Réplica da sala do Villamarín, atrás de vidro Pessoa com autismo + 1 acompanhante Com a RFEF e a Autismo Sevilla; 15 euros com acompanhante incluído em jogos de classe B; 3 lugares por jogo cedidos à Autismo Sevilla

Em 2016 a Premier League e a BT criaram, com a Shippey Campaign e a Lord’s Taverners, uma linha de financiamento para salas sensoriais nos 20 clubes. A adoção acelera quando há financiamento externo dedicado e uma associação de famílias a empurrar.

Lições europeias para a Luz

Benchmark EUA e resto do mundo

Fora da Europa há dois modelos úteis: o norte-americano, centrado na certificação e na formação do staff, e o brasileiro, impulsionado por obrigação legal.

Estados Unidos – modelo KultureCity

A KultureCity é uma organização sem fins lucrativos que certifica recintos como «sensory inclusive». Nas grandes ligas (NBA, NFL, MLB, NHL, MLS) é a referência dominante.

Uma sala de 5–6 famílias serve poucos; a formação do staff e os kits servem milhares de adeptos neurodivergentes que já vão à bancada. A proposta inclui as duas camadas.

Brasil – obrigação legal

Qatar 2022

O Mundial de 2022 teve salas sensoriais em três estádios, operadas com instituições locais de reabilitação. As famílias podiam entrar antes do jogo e sair depois, evitando os picos de multidão.

Análise comparativa

Os casos agrupam-se em cinco modelos. A recomendação é um modelo híbrido: o percurso progressivo do FC Porto, com a camada de formação e kits da KultureCity e o uso clínico semanal do Allianz Parque.

Modelo Exemplos Rapidez Custo de capital Equipa clínica Alcance Deficiência profunda Principal risco
Percurso progressivo FC Porto, Manchester City Média Médio Alta Médio, com transição para a bancada Média Acessos físicos mal resolvidos
Camarote reconvertido Sporting, Arminia, Sunderland Alta Baixo Média Baixo Média Perda de receita de camarote
Sala dedicada com vista Watford, Arsenal, Betis Média Baixo Média Baixo Média Lista de espera permanente
Certificação, formação e kits KultureCity (EUA) Muito alta Muito baixo Baixa Muito alto Baixa Insuficiente para quem não tolera a bancada
Uso misto estádio e clínica Allianz Parque (Brasil) Baixa Médio Alta, paga por outra entidade Alto Alta, se equipada Complexidade de governação

Boas práticas transversais

Argumentos para a decisão

Parte II — Proposta para o Estádio da Luz

1. Visão, objetivos e princípios

Propomos que o Benfica crie, até junho de 2027, um espaço sensorial no Estádio da Luz que permita a qualquer benfiquista ver um jogo ao vivo com a família, seja qual for a forma como processa o som, a luz e a multidão. O espaço não é um camarote de caridade: é um serviço permanente do estádio, com equipa clínica, regras claras e resultados medidos.

O problema que resolve

Hoje, uma família com um filho autista que queira ir à Luz tem três opções más. Pode arriscar a bancada e sair ao primeiro foguete. Pode ir só um dos pais, deixando o filho em casa. Ou pode simplesmente desistir. A reportagem do Dragão mostra que estas famílias existem e que, quando lhes é dado um espaço, voltam jogo após jogo e algumas acabam por comprar lugar anual.

O mesmo acontece no outro extremo da vida. Há sócios que vão à Luz há décadas e deixam de ir quando a demência aparece, porque a multidão, o ruído e a desorientação tornam o estádio confuso e assustador. O Manchester City já abre a sua sala a adeptos adultos com demência; a Luz deve fazer o mesmo e dizê-lo claramente na comunicação.

O problema não é a pessoa; é o ambiente. É esta a leitura das diretrizes da UEFA, que seguem o modelo social da deficiência: quem retira barreiras é o estádio, não quem tem de as ultrapassar.

Objetivos

  1. Dar acesso a quem hoje não vem. Criar condições para que pessoas autistas, neurodivergentes, com défice intelectual, multideficiência, deficiência profunda ou demência assistam a jogos do Benfica na Luz, acompanhadas.
  2. Abrir um caminho para a bancada. Para quem o quiser, a sala é um ponto de partida e não um destino: o percurso em três etapas permite experimentar a bancada aos poucos e com apoio.
  3. Preparar o estádio inteiro. Muitas pessoas neurodivergentes já vão à Luz e sofrem em silêncio. Kits sensoriais e formação de stewards chegam a milhares de adeptos, não só aos que cabem na sala.
  4. Fazer do Benfica a referência nacional. Com a parceria universitária, o clube gera conhecimento, forma profissionais e pode publicar resultados que nenhum outro clube português tem.

Princípios de desenho

2. Localização: onde fica a sala

Recomendamos reconverter um camarote existente para cumprir junho de 2027 e, numa segunda fase, integrar um espaço definitivo e maior na obra de ampliação do estádio para 70 000 lugares.

Opção O que é Prazo realista Experiência do adepto Custo Principal limitação
A. Camarote reconvertido Adaptar um camarote existente com vista para o relvado Cumpre junho de 2027 Boa: vista direta, privacidade, perto da bancada Baixo a médio Perda da receita desse camarote
B. Espaço novo na ampliação Desenhar a sala de raiz no projeto dos 70 000 lugares Provavelmente depois de 2027 Muito boa: dimensão, acessos e casa de banho pensados desde o início Marginal, se integrado no projeto Não cumpre o prazo
C. Sala interior sem vista Espaço calmo interior com o jogo transmitido em ecrã Rápido Fraca: perde-se o essencial, que é ver o relvado Baixo Não serve a transição para a bancada

A opção C só faz sentido como recurso de emergência (uma «sala de pausa» para quem entra em crise na bancada), nunca como solução principal.

Critérios para escolher o camarote

  1. Vista direta para o relvado, com envidraçado que possa ser tratado acusticamente.
  2. Acesso sem degraus desde o estacionamento até à sala. O FC Porto só agora está a resolver as escadas de acesso à INZONE; a Luz deve evitar esse erro desde o início.
  3. Distância às zonas de pirotecnia e de maior ruído. Na reportagem do Dragão, foguetes e petardos são o estímulo mais referido pelas famílias. Uma bancada lateral, afastada dos topos, é preferível.
  4. Espaço exterior contíguo que possa funcionar como zona intermédia, e lugares de bancada próximos para a terceira etapa.
  5. Casa de banho adaptada a poucos metros, ou possibilidade de a construir.
  6. Proximidade a um elevador e a um posto de primeiros socorros.
  7. Área útil de 30 a 45 m², a nossa estimativa para receber 5 a 6 famílias (12 a 18 pessoas) com o terapeuta.

Fases seguintes

3. Desenho do espaço e equipamento

A sala deve permitir duas coisas ao mesmo tempo: ver bem o jogo e conseguir baixar os estímulos a qualquer momento.

Como poderia ficar na Luz

As imagens seguintes são uma sugestão visual de como o espaço poderia ficar, com a identidade do clube e o equipamento descrito nesta secção. O nome «Benfica para Todos – Zona Sensorial» é também uma sugestão.

Conceito da sala sensorial: terapeuta com crianças num tapete em forma de relvado, lugares de estádio junto ao vidro e painel luminoso na parede
A sala em dia de jogo. Vista direta para o relvado, três lugares de estádio junto ao vidro, um tapete de regulação em forma de relvado, pufes e um painel luminoso interativo. Um terapeuta acompanha as famílias.
Conceito da área de regulação: mesa com abafadores e objetos de manipulação, pufes e acesso à varanda sobre a bancada
Área de regulação e acesso à zona intermédia. Mesa com abafadores e objetos de manipulação, assentos baixos e a varanda sobre a bancada logo ao lado.
Conceito do espaço de chão: tapete tátil nas cores do clube e materiais sensoriais, com a bancada visível pelo vidro
Espaço de chão. Tapete tátil nas cores do clube e materiais sensoriais, com a bancada sempre à vista.

Imagens conceptuais geradas por inteligência artificial, como sugestão visual. Não representam um espaço que já exista no Estádio da Luz.

Organização interna da sala

Acústica

O objetivo é que dentro da sala se possa conversar em voz normal durante o jogo, mesmo num golo ou num momento de pirotecnia. Isto obriga a substituir ou duplicar o envidraçado por vidro laminado acústico, revestir paredes e teto com painéis absorventes, instalar uma porta com vedação acústica e prever um sistema de som interior com volume regulável. A especificação final deve ser feita por um engenheiro acústico, com medições num jogo real antes e depois da obra.

Luz, clima e materiais

Equipamento

Equipamento Para que serve Observações
Abafadores de ruído, vários tamanhos Reduzir o ruído na sala, na zona intermédia e na bancada Tamanhos para crianças e adultos
Tubo de bolhas e fibra ótica Estímulo visual calmo e previsível Padrão nas salas inglesas
Mantas e coletes com peso Regulação por pressão profunda Uso orientado pelo terapeuta
Objetos de manipulação e materiais táteis Regulação durante o jogo Laváveis, substituídos todas as épocas
Pufes, colchões e cadeiras móveis Liberdade de posição Muitas pessoas não conseguem estar sentadas 90 minutos
Ecrã com a transmissão do jogo Ver repetições e o marcador Som desligado por defeito; legendas ligadas
Quadro visual do jogo Antecipar hino, intervalo e fim Reduz a ansiedade com o imprevisto
Cartões de comunicação e quadro de emoções Comunicar sem palavras Útil para pessoas não verbais

Adaptação a deficiência profunda e multideficiência

Zona intermédia e bancada

Preparação antes do jogo

Propomos um guia visual do dia de jogo, com fotografias reais do percurso (parque, porta, elevador, sala, casa de banho), enviado com a confirmação da reserva, e um vídeo curto do mesmo percurso no site do clube.

4. Modelo operacional

Quem pode usar

Família e preço

Como se reserva

  1. Pedido num formulário da página de acessibilidade do site do Benfica.
  2. Triagem telefónica de 15 a 20 minutos com um terapeuta, na primeira vez, com uma ficha de apoio válida para a época.
  3. Atribuição das vagas até cinco dias antes do jogo, com pelo menos duas das seis vagas reservadas a quem vem pela primeira vez; quem fica de fora tem prioridade no jogo seguinte.
  4. Confirmação com bilhete, credencial de estacionamento e guia visual.
  5. Lugar regular para as famílias que o quiserem, ao fim de alguns jogos.

Propomos ainda ceder uma vaga por jogo a uma associação parceira, em rotação, como faz o Betis com a Autismo Sevilla.

Um dia de jogo, passo a passo

  1. Duas horas antes: a equipa monta a sala, testa som e luz, revê as fichas e faz um briefing com os stewards.
  2. Chegada antecipada: as famílias entram 60 a 90 minutos antes, pelo estacionamento reservado, recebidas por uma assistente de acolhimento.
  3. Instalação: o terapeuta apresenta a sala, entrega os kits e combina com cada família um plano simples para o jogo.
  4. Durante o jogo: as famílias circulam livremente entre sala, zona intermédia e bancada; o terapeuta acompanha e regista observações.
  5. Intervalo: a sala mantém-se calma e a casa de banho adaptada fica reservada às famílias.
  6. Saída: antes do apito final ou 15 a 20 minutos depois, com acompanhamento até ao parque.
  7. Depois do jogo: questionário curto às famílias e registo de ajustes.

Equipa em cada jogo

Função Número Quem Papel
Coordenador clínico 1 Terapeuta ocupacional ou psicólogo com experiência em autismo Responsável pela sala, supervisão, decisões em crise
Terapeutas ou estagiários 2 a 3 Universidade parceira Acompanham as famílias na sala e nas transições
Assistente de acolhimento 1 Staff do clube Recebe as famílias no parque e acompanha-as
Steward dedicado 1 Segurança do clube, com formação específica Zona intermédia, bloco de bancada, ligação ao centro de controlo

Jogos abrangidos

Todos os jogos em casa da equipa principal masculina e os jogos da equipa feminina disputados na Luz. Nos jogos de maior risco (dérbis e grandes jogos europeus), a sala mantém-se aberta com reforço da equipa e aviso prévio às famílias.

Segurança, emergências e proteção de menores

Uso fora dos dias de jogo

5. Parceria universitária e equipa clínica

O precedente direto é a INZONE, criada com a Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto.

Parte Contribui com Ganha
Benfica Espaço, acesso ao estádio, bilhetes para a equipa, visibilidade, financiamento do coordenador Equipa qualificada em todos os jogos, credibilidade técnica, dados de impacto
Universidade Estagiários, supervisão, formação de stewards, desenho da avaliação Local de estágio único no país, investigação, visibilidade
Famílias Participação no co-desenho e nos questionários Um serviço pensado com rigor e que melhora todas as épocas

Instituições a contactar

Propomos um parceiro principal em terapia ocupacional e, se fizer sentido, um segundo em psicologia ou psicomotricidade. Candidatos a confirmar: Escola Superior de Saúde do Alcoitão; Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa; Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa; ISPA – Instituto Universitário.

Como funciona a equipa

O que o protocolo deve prever

Objeto e duração inicial de três épocas; número de estagiários e regras de supervisão; responsabilidades clínicas; seguros; confidencialidade e proteção de dados; regras de publicação e de uso das marcas; formação dos stewards.

Investigação e formação

Propomos um estudo de impacto desde o piloto, com aprovação da comissão de ética da universidade: questionários antes e depois, registo das transições entre zonas e acompanhamento ao longo de várias épocas. A universidade desenha também a formação dos stewards: um módulo de duas a três horas, atualizado todas as épocas.

6. Orçamento estimado e financiamento

Estimamos um investimento inicial entre 75 000 e 163 000 euros e um custo de funcionamento entre 27 000 e 48 000 euros por época. São estimativas de ordem de grandeza, sem IVA, a validar com pelo menos três orçamentos depois de escolhido o espaço. A diferença face às cerca de 17 000 libras da sala do Watford explica-se pelo tratamento acústico completo e pela adaptação a deficiência profunda.

Investimento inicial

Rubrica Mínimo (€) Máximo (€)
Projeto e fiscalização 5 000 10 000
Obra acústica: vidro laminado, painéis, teto, porta 20 000 45 000
Iluminação regulável, estores e climatização 6 000 15 000
Casa de banho adaptada com fraldário de adulto e elevador de transferência 15 000 30 000
Equipamento sensorial e mobiliário 8 000 18 000
Ecrã, som interior e rádio 3 000 6 000
Zona intermédia e bloco de bancada 3 000 8 000
Kits sensoriais para todo o estádio (cerca de 300) 5 000 10 000
Guia visual, vídeo, sinalética e página web 3 000 6 000
Contingência (10%) 7 000 15 000
Total 75 000 163 000

Custos por época (cerca de 22 jogos em casa)

Rubrica Mínimo (€) Máximo (€)
Coordenador clínico a tempo parcial 15 000 22 000
Compensações de estagiários e da bolsa de terapeutas 3 000 7 000
Assistente de acolhimento e steward dedicado 3 000 6 000
Formação de stewards e staff 2 000 5 000
Reposição de kits e consumíveis 2 000 4 000
Seguros, comunicação e avaliação 2 000 4 000
Total por época 27 000 48 000

Com 6 famílias em 22 jogos, a sala recebe cerca de 130 visitas de família por época; os kits e a formação chegam a muitas mais pessoas. Fica por quantificar o custo de oportunidade do camarote, a indicar pelo departamento comercial.

Fontes de financiamento

Fonte O que pode cobrir Precedente
Patrocinador do projeto Investimento inicial, kits, obras de acessibilidade Betano na INZONE; PUMA nos kits do Manchester City
Fundação Benfica Parte do funcionamento e ligação a associações Fundação Sporting na The Green Box
Parceiro social Cofinanciamento e acesso a famílias Santa Casa da Misericórdia de Lisboa com o Sporting
Universidade parceira Estagiários, supervisão e formação, em espécie Escola Superior de Saúde do P.Porto com o FC Porto
Mecenato de empresas Doações com possível benefício fiscal A confirmar com o departamento fiscal do clube
Orçamento do clube Coordenador clínico, staff e seguros Encargo de acessibilidade ligado ao DAO

Recomendamos que o investimento inicial seja financiado por um patrocinador e pela Fundação Benfica, e que o clube assuma apenas o funcionamento.

7. Governação e indicadores

Quem faz o quê

Função Responsável Responsabilidades principais
Patrocinador na direção Membro da direção com o pelouro do estádio ou da responsabilidade social Aprova orçamento e espaço, desbloqueia decisões
Dono do projeto Disability Access Officer (DAO) Gestão do dia a dia, ligação às famílias, relatório anual
Coordenação clínica Coordenador clínico Triagem, equipa em jogo, protocolos de crise
Operações e segurança Direção de operações do estádio Acessos, evacuação, stewards
Bilhética Departamento de bilhética Reservas, acompanhantes, lugar regular
Comunicação Departamento de comunicação Página de acessibilidade, guia visual, divulgação
Financiamento Fundação Benfica Patrocinador, associações, mecenato
Parceria académica Universidade parceira Estagiários, supervisão, formação, estudo de impacto
Voz dos utilizadores Grupo consultivo de famílias e adultos autistas Co-desenho e feedback de cada época

Indicadores e metas

Indicador Como se mede Meta no piloto Meta em 2027/28
Famílias diferentes atendidas Registo de reservas 15 80
Taxa de ocupação da sala Vagas usadas sobre vagas disponíveis 70% 85%
Famílias que regressam Percentagem que volta pelo menos mais uma vez Registar 50%
Vagas para novas famílias Vagas por jogo para quem vem pela primeira vez 2 2
Transições para fora da sala Famílias que passam à zona intermédia ou à bancada Registar 30%
Satisfação Questionário pós-jogo, de 1 a 5 4,5 4,5
Espera pela primeira vaga Jogos entre o pedido e a primeira presença Registar 4 jogos ou menos
Stewards formados Percentagem do staff de jogo 100% nas zonas da sala 50% de todo o staff
Kits sensoriais emprestados Registo nos pontos de entrega Registar 500 por época
Crises com intervenção médica Registo de primeiros socorros Registar Tendência descendente

No fim de cada época, o DAO apresenta à direção um relatório curto com os indicadores, histórias relevantes (com autorização das famílias) e alterações propostas, com um resumo público no site do clube.

8. Calendário de implementação

O calendário cabe em oito meses porque as frentes de trabalho correm em paralelo e porque se reconverte um espaço existente.

novdezjan 2027fevmarabrmaijunPreparação e aprovação2 nov a 29 janDecisão da direção29 janEscolha do camarote1 dez a 31 dezUniversidade e financiamento1 dez a 26 fevProjeto e orçamentos4 jan a 12 fevObra e equipamento15 fev a 31 marFormação da equipa1 mar a 9 abrPiloto com famílias1 abr a 31 maiBalanço e abertura15 jun
Cronograma proposto por frente de trabalho. Datas do piloto a ajustar ao calendário de jogos.

O caminho crítico é a sequência decisão da direção, obra e piloto. A decisão de janeiro é o ponto sem folga: cada mês de atraso retira um mês ao piloto, e uma decisão depois de fevereiro adia o piloto para o início da época 2027/28. As datas exatas do piloto devem ser ajustadas ao calendário de jogos em casa de abril e maio de 2027. Propomos três a quatro jogos de piloto, com três a quatro famílias convidadas em cada um.

9. Riscos e mitigação

Risco Probabilidade Impacto Como mitigar
Aprovação depois de janeiro de 2027 Média Alto Apresentar em novembro ou dezembro; piloto mais curto em maio se necessário
Nenhum camarote disponível ou resistência comercial Média Alto Camarote de menor procura; patrocinador compensa a receita perdida
A obra acústica fica aquém do objetivo Baixa a média Médio Medições prévias, engenheiro acústico, abafadores como reforço
A universidade não fecha o protocolo a tempo Média Alto Duas instituições em paralelo; coordenador do clube garante o piloto
Procura muito acima da capacidade Alta Médio Regras de rotação públicas, lista de espera, kits e formação em todo o estádio
A sala não chega às famílias que mais precisam Média Médio Vaga por jogo para associações, divulgação em escolas e unidades de autismo
Crise grave ou incidente médico Baixa Alto Protocolos escritos, ficha de emergência, ligação aos primeiros socorros
Pirotecnia e ruído nos jogos de maior risco Alta Médio Sala longe dos topos, aviso prévio, reforço de equipa
Tratamento indevido de dados de saúde Média Alto Consentimento explícito, acesso restrito, validação pelo encarregado de proteção de dados
Perceção de ação de marketing Baixa Médio Co-desenho, preço normal, indicadores públicos, sem fotografias sem consentimento
Fim do apoio do patrocinador Média Médio Contrato de pelo menos três épocas; funcionamento no orçamento de acessibilidade

10. O que pedimos à direção

  1. Aprovar o princípio de criar um espaço sensorial no Estádio da Luz, com piloto até junho de 2027 e abertura plena em 2027/28.
  2. Nomear um membro da direção como patrocinador do projeto e confirmar o DAO como responsável executivo.
  3. Mandatar a direção de operações para identificar, até ao fim de dezembro de 2026, o camarote a reconverter.
  4. Autorizar contactos formais com universidades, com a Fundação Benfica e com potenciais patrocinadores, para fechar protocolo e financiamento até fevereiro de 2027.
  5. Aprovar o orçamento de funcionamento até 48 000 euros por época, a partir de 2027/28, e o mandato para procurar financiamento integral do investimento inicial.
  6. Aprovar o piloto em abril e maio de 2027 e a apresentação dos resultados à direção em junho.

Com estas decisões, o Benfica passa de único dos três grandes sem resposta a clube com a sala mais completa do país, a única pensada desde o início também para pessoas com deficiência profunda.

Fontes

Portugal: A Bola – reportagem INZONE (2026); A Bola – inauguração da INZONE (2024); Notícias ao Minuto – The Green Box (2025); A Bola – camarote solidário do Sporting (2023); A Bola – Emirates Lounge (2026); Soccerway – lotação de 70 mil; Prevalência do autismo na Região Centro (2023); Prevalência do autismo nos Açores (2025).

UEFA e enquadramento: UEFA Accessibility Guidelines; Lançamento em Lisboa; Salas sensoriais nas finais de 2025; AccessibAll – Sensory Viewing Rooms.

Europa: Sunderland; Financiamento da Premier League; Salas do Sunderland (site oficial); Watford; Arsenal; Manchester City; Manchester City – lotação e kits; PUMA e Sensory Suite; Arminia Bielefeld; Real Betis; Betis em La Cartuja; RFEF; Autismo Sevilla.

EUA e resto do mundo: VenuesNow – KultureCity; Fiserv Forum; Nationals Park; Maracanã; Allianz Parque; Qatar 2022.